Livro registra 40 anos da Pinacoteca Benedicto Calixto e revela fotografias inéditas do Casarão Branco
Obra “A História da Pinacoteca Benedicto Calixto”, do jornalista e historiador Sergio Willians, percorre mais de um século de memória do imóvel; lançamento integra a programação da 4ª edição do Arte na Pinacoteca e acontece em 1º de outubro, às 18h, em Santos
Santos, outubro de 2026 – Os 40 anos da Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto ganham um novo registro histórico com o lançamento do livro “A História da Pinacoteca Benedicto Calixto”, do jornalista e historiador Sergio Willians. A noite de lançamento e autógrafos será realizada no dia 1º de outubro de 2026, às 18h, na Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos (SP), e integra a programação da 4ª edição do Arte na Pinacoteca.

A publicação reúne documentos, fotografias e personagens ligados à trajetória da instituição e do tradicional Casarão Branco, um dos marcos arquitetônicos da orla santista. Mais do que registrar as quatro décadas da Fundação, a obra retorna ao início do século XX para reconstruir a história do imóvel desde sua construção, em 1900.
Autor de livros e projetos voltados à história e à preservação da memória de Santos e da Baixada Santista, Sergio Willians dedicou pouco mais de um ano à pesquisa, redação, seleção de imagens e organização do conteúdo. O trabalho também envolveu diagramação e desenvolvimento do projeto gráfico da publicação.
O convite para escrever o livro partiu da presidente da Associação dos Amigos da Pinacoteca Benedicto Calixto, a jornalista Cristina Guedes.
Construído em 1900 pelo alemão Anton Carl Dick, o casarão acompanhou diferentes períodos da história de Santos, desde a prosperidade ligada ao café até momentos de decadência, quando chegou a ser ocupado de forma precária.
A mobilização da sociedade para preservar o imóvel levou à sua desapropriação e incorporação ao patrimônio municipal, em 1985. O processo abriu caminho para a restauração do casarão e, posteriormente, para a criação da Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto, em 1986.
“Este livro representa um importante registro da trajetória da Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto e das muitas pessoas que contribuíram para que ela chegasse aos 40 anos como uma referência cultural de Santos. Preservar essa memória é reconhecer o trabalho de quem veio antes de nós e, ao mesmo tempo, reafirmar nosso compromisso de manter a Pinacoteca aberta, ativa e conectada às futuras gerações”, destaca Roberto Clemente Santini, presidente da Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto.
Fotografias inéditas revelam o interior do casarão
Um dos destaques da publicação são fotografias inéditas dos ambientes internos do casarão quando a família Pires ainda vivia no local, na década de 1920. Os registros mostram salas de música, jantar, estar e jogos, além de escritórios e quartos completamente mobiliados.

“Foi uma das grandes surpresas da pesquisa. Eu nunca havia visto aquelas imagens e elas permitem praticamente entrar naquela residência da década de 1920”, conta Sergio Willians.
Entre os registros está uma fotografia da antiga sala de jantar da residência, espaço que atualmente corresponde ao salão principal da Pinacoteca, onde são realizados concertos, exposições e outros eventos.
As imagens estabelecem uma relação direta entre passado e presente e ajudam a compreender as transformações dos ambientes do casarão ao longo de mais de um século. Segundo o autor, a publicação dessas fotografias pela primeira vez está entre as principais novidades do livro.
Memória que também integra o Arte na Pinacoteca
O lançamento faz parte da programação da 4ª edição do Arte na Pinacoteca, iniciativa que vem reunindo diferentes manifestações artísticas e culturais em torno da Pinacoteca Benedicto Calixto, ampliando o diálogo da instituição com o público e com a própria memória da cidade.
Para Leila Gazzaneo, responsável pela direção geral e gestão do Arte na Pinacoteca, receber o lançamento de uma obra dedicada à própria história da instituição reforça a proposta do projeto de valorizar a cultura e o patrimônio.
“O Arte na Pinacoteca também nasce desse compromisso com a memória e com a valorização do nosso patrimônio. Receber um livro que recupera a história do Casarão Branco e das pessoas que ajudaram a construir a trajetória da Pinacoteca é uma forma de aproximar ainda mais o público dessa história e mostrar que preservar também é manter essa memória viva para as próximas gerações”, destaca Leila Gazzaneo.
O Ministério da Cultura, Ecovias, Rumo, Instituto Rumo, Brasil Terminal Portuário (BTP), MSC, MEDLOG e G. PIEROTTI apresentam a 4ª edição do Arte na Pinacoteca. A direção geral e a gestão do projeto são de Leila Gazzaneo, a coordenação de produção é de Elza Tsumori e a produção executiva é de Fábio Luiz Salgado.
Uma história construída por muitas mãos
A pesquisa foi realizada a partir do cruzamento de diferentes fontes. Entre elas estão o arquivo da própria Pinacoteca, com fotografias, documentos internos, fichas, relatórios, projetos de exposições e registros de reuniões de diretoria, além da imprensa, especialmente o jornal A Tribuna, que acompanhou durante décadas a trajetória da instituição.
O livro também registra a utilização de acervos da Pinacoteca, de A Tribuna e do Instituto Histórico e Geográfico de Santos.
A narrativa acompanha a história do imóvel, seus diferentes moradores e períodos de ocupação, a decadência, a mobilização pela preservação, a restauração e a criação da Fundação. A partir de 1986, a trajetória da instituição é organizada pelas diferentes gestões, começando pela presidência de Darcy Barros e chegando à atual presidência de Roberto Clemente Santini.
Ao longo dos capítulos, aparecem exposições, concertos, atividades literárias e educativas, programas de música, eventos, ações de Natal e outras iniciativas realizadas ao longo das quatro décadas.
A proposta é mostrar a Pinacoteca não apenas como um prédio histórico, mas como um espaço cultural construído e transformado pela atuação de diferentes gerações.
“Instituições não são construídas apenas por decretos ou edifícios. Elas são feitas por pessoas”, afirma Willians.
Por isso, a publicação também registra fundadores, dirigentes, presidentes, artistas, conselheiros, colaboradores e profissionais envolvidos na restauração do casarão.
Há ainda uma relação detalhada dos profissionais que participaram do trabalho, incluindo engenheiros, arquitetos, desenhistas, pedreiros, carpinteiros, pintores, marceneiros, eletricistas, jardineiros e restauradores.
O encontro entre Benedicto Calixto e o Casarão Branco
A escolha de Benedicto Calixto para dar nome à instituição também ocupa espaço na publicação. Um dos principais artistas ligados à história regional, Calixto produziu obras fundamentais para a memória iconográfica de Santos e do litoral paulista.
Com a criação da Fundação, 14 telas de Benedicto Calixto foram oficialmente destinadas à instituição.
O livro mostra, assim, o encontro entre dois patrimônios: o artístico, representado pela obra de Benedicto Calixto, e o arquitetônico, materializado no casarão construído no início do século XX.
Outro momento decisivo foi a abertura do imóvel ao público e sua inauguração oficial, em 1992. Depois de um longo processo de restauração, o antigo casarão passou a funcionar como equipamento cultural, dando continuidade à mobilização iniciada anos antes em defesa de sua preservação.
A publicação também dialoga com “A Casa das Artes”, livro lançado pela jornalista Madô Martins em 1992, quando o casarão foi entregue à cidade após a restauração. A obra registrou a história do imóvel e daquele momento de transformação.
Mais de três décadas depois, o novo livro retoma esse passado e acrescenta a trajetória construída pela Fundação ao longo dos 40 anos seguintes.
“A contribuição está justamente em reunir uma memória que estava dispersa em jornais, arquivos, fotografias, documentos e lembranças e colocá-la numa narrativa única, acessível às próximas gerações”, explica Sergio Willians.
Para o autor, registrar essa história também significa reforçar a importância da preservação do patrimônio cultural de Santos.
“Quando passamos diante daquele casarão branco na praia podemos admirar sua beleza, mas existe ali uma história muito maior do que a fachada revela. Houve pessoas que moraram naquela casa, momentos de prosperidade e decadência, uma luta enorme para impedir que ela desaparecesse e, depois, quatro décadas de trabalho para transformá-la em um espaço dedicado à arte e à cultura”, afirma.
A expectativa é que a publicação contribua para aproximar novos públicos da história da Pinacoteca e estimular a valorização do patrimônio.
“Preservar a memória não significa apenas olhar para o passado. É a memória que nos ajuda a entender quem somos, como chegamos até aqui e a construir, com mais consciência e olhar crítico, aquilo que queremos deixar para o futuro”, conclui Sergio Willians.
SERVIÇO
Lançamento e noite de autógrafos do livro “A História da Pinacoteca Benedicto Calixto”
Autor: Sergio Willians
Agenda: Arte na Pinacoteca – 4ª edição
Data: 1º de outubro de 2026 – quinta-feira
Horário: 18h
Local: Pinacoteca Benedicto Calixto
Endereço: Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15 – Santos/SP