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Outubro Rosa além do câncer de mama: prevenção do câncer do colo do útero também merece atenção

14/10/26

Ginecologista Dr. José Carlos Gaspar alerta para a importância da vacinação contra o HPV, dos exames preventivos e do diagnóstico precoce na saúde feminina

Tradicionalmente associado à conscientização sobre o câncer de mama, o Outubro Rosa também abre espaço para uma discussão mais ampla sobre a saúde da mulher. Entre os temas que merecem atenção está o câncer do colo do útero, doença que, apesar de apresentar importantes possibilidades de prevenção, ainda representa um desafio para a saúde pública brasileira.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028. No mesmo período, a estimativa para o câncer de mama é de 78.610 novos diagnósticos anuais. Os números reforçam a importância de ampliar o acesso à informação, aos exames preventivos e ao diagnóstico precoce.

Para o ginecologista e obstetra Dr. José Carlos Gaspar, da Clínica Gaspar Saúde Integrada, em Santos, o Outubro Rosa representa uma oportunidade de ampliar o debate sobre a prevenção e incentivar as mulheres a manterem o acompanhamento ginecológico regular.

Diferentemente de outros tipos de câncer, o câncer do colo do útero apresenta uma característica importante: a maioria dos casos está relacionada à infecção persistente por tipos de alto risco do papilomavírus humano (HPV), contra os quais existem vacinas. Além disso, os exames de rastreamento permitem identificar alterações precursoras antes que evoluam para um tumor maligno.

O HPV é uma infecção sexualmente transmissível bastante comum. Embora a maioria das infecções seja eliminada naturalmente pelo organismo, a persistência de determinados tipos do vírus pode provocar alterações celulares que, ao longo dos anos, favorecem o desenvolvimento do câncer. O tabagismo e o comprometimento do sistema imunológico também estão associados ao aumento do risco de desenvolvimento da doença.

Um dos principais desafios é que o câncer do colo do útero pode não apresentar sintomas nas fases iniciais. Quando surgem, os sinais incluem sangramento vaginal fora do período menstrual, após relações sexuais ou depois da menopausa, além de corrimento persistente e dor pélvica. Em situações mais avançadas, também podem ocorrer dores nas costas, alterações urinárias e perda de peso sem causa aparente.

Essas manifestações não significam necessariamente a presença de câncer, mas precisam ser investigadas por um profissional de saúde. Por isso, esperar o aparecimento de sintomas não é uma estratégia segura de prevenção, especialmente porque as alterações iniciais podem ser identificadas antes de qualquer manifestação clínica.

A identificação precoce dessas alterações pode ocorrer por meio de exames de rastreamento, como o teste molecular para HPV e o tradicional Papanicolau, conforme a faixa etária, o histórico clínico e as recomendações vigentes. Quando necessário, exames complementares, como a colposcopia e a biópsia, auxiliam na investigação diagnóstica.

A vacinação contra o HPV é uma das principais estratégias de prevenção do câncer do colo do útero. Disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina faz parte do calendário de imunização de meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de contemplar outros públicos específicos, conforme as recomendações do Ministério da Saúde. Em 2026, a estratégia de resgate vacinal também alcança adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que ainda não foram imunizados.

O uso de preservativos contribui para reduzir o risco de transmissão do HPV, embora não elimine completamente a possibilidade de infecção, já que o vírus também pode ser transmitido pelo contato com áreas não cobertas pelo preservativo. Evitar o tabagismo e manter o acompanhamento ginecológico são outras medidas importantes para a saúde da mulher.

Mesmo mulheres vacinadas precisam seguir as orientações de rastreamento, uma vez que a imunização não oferece proteção contra todos os tipos de HPV associados ao câncer.

Quando diagnosticado, o câncer do colo do útero pode exigir diferentes abordagens terapêuticas, como cirurgia, radioterapia, quimioterapia e, em situações específicas, imunoterapia. A escolha depende do estágio da doença, das condições clínicas da paciente e de outros fatores avaliados pela equipe médica.

Mais do que uma campanha concentrada em outubro, a conscientização sobre a saúde feminina deve fazer parte da rotina ao longo de todo o ano. A ampliação do acesso à informação, à vacinação e aos exames preventivos é essencial para reduzir os diagnósticos tardios e as mortes provocadas por uma doença amplamente prevenível.

O Dr. José Carlos Gaspar, médico ginecologista e obstetra à frente da Clínica Gaspar Saúde Integrada, em Santos, está disponível para entrevistas sobre a prevenção do câncer do colo do útero, a importância da vacinação contra o HPV, os avanços nos exames de rastreamento e os cuidados ginecológicos em diferentes fases da vida.

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