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Canetas para emagrecer podem estar relacionadas à queda de cabelo? Especialistas explicam

19/10/26

Perda acelerada de peso, restrição alimentar e alterações hormonais podem interferir no ciclo dos fios; diagnóstico precoce ajuda a preservar a saúde capilar

A queda de cabelo tem aparecido entre as principais queixas de pessoas que passam por processos intensos de emagrecimento, inclusive entre usuários das chamadas “canetas emagrecedoras”. Um estudo realizado por pesquisadores da George Washington University, nos Estados Unidos, com quase 548 mil adultos, encontrou associação entre o uso de medicamentos agonistas de GLP-1 e um risco maior de alguns tipos de queda capilar. O resultado, porém, não significa que a medicação seja, isoladamente, responsável pelo problema.

O próprio processo de emagrecimento pode ser um gatilho. A perda rápida de peso, a redução importante da ingestão calórica e de proteínas e possíveis deficiências nutricionais podem interferir no ciclo dos fios e provocar o chamado eflúvio telógeno, uma queda difusa que, na maioria dos casos, é temporária.

“Cabelo cair é normal. O problema é quando você percebe que está caindo mais do que o seu habitual. Se começa a aparecer muito cabelo no banho, na escova ou no travesseiro, ou você percebe o couro cabeludo mais aparente, isso merece investigação. Queda não é só quantidade: é também mudança de padrão e perda de densidade”, explica a médica Gabriela Jachuk, especialista em saúde capilar e tricologia.

Segundo ela, antes de atribuir a queda ao medicamento, é preciso investigar o organismo como um todo. Alterações hormonais, estresse, privação de sono, mudanças bruscas na alimentação e deficiências nutricionais também podem interferir no ciclo capilar.

“O cabelo é muito sensível às alterações hormonais. Problemas da tireoide podem causar queda difusa, e a síndrome dos ovários policísticos (SOP) pode favorecer o afinamento dos fios em mulheres predispostas. Por isso, antes de culpar qualquer medicação, precisamos investigar o organismo como um todo”, afirma Gabriela.

Na avaliação de quem está emagrecendo e percebe uma mudança importante nos cabelos, podem ser considerados exames para investigar ferro e ferritina, marcadores hormonais da tireoide, vitaminas B12 e D, zinco, proteínas e outros hormônios, de acordo com cada caso. A tricoscopia, exame que permite observar em detalhes o couro cabeludo e os fios, também é uma importante ferramenta para identificar o padrão da queda.

Quando o emagrecimento revela uma predisposição

A perda acelerada de peso pode ainda revelar uma tendência à calvície que já existia, mas permanecia silenciosa. “Na maioria dos casos, quando está relacionada a uma perda de peso rápida, a queda é temporária. Mas ela pode revelar uma predisposição à calvície que estava silenciosa. Então, a queda pode passar, mas, se existe miniaturização dos fios, precisamos agir cedo”, explica a médica da Clínica Gaspar Saúde Integrada.

É justamente essa diferença que torna a avaliação importante. Enquanto o eflúvio telógeno tende a ser transitório, a miniaturização progressiva dos fios pode indicar condições como a alopecia androgenética, que precisa de acompanhamento específico.

“Não necessariamente o paciente precisa suspender a medicação — e nunca deve fazer isso por conta própria. Primeiro, precisamos descobrir a causa. Muitas vezes conseguimos tratar a queda em paralelo, corrigir deficiências e ajustar a estratégia de emagrecimento. A decisão precisa ser individualizada”, ressalta Gabriela.

O que o salão pode fazer durante esse processo

A percepção dessas mudanças também faz parte da rotina de profissionais que acompanham de perto a saúde dos cabelos. Fábio Benetti, cabeleireiro e especialista em terapias capilares naturais, conta que tem recebido com frequência, no salão, clientes preocupados com o aumento da queda durante processos de emagrecimento e em busca de orientação para preservar os fios. 

“A queda de cabelo raramente tem uma única causa, e no dia a dia isso fica evidente. Percebemos uma relação muito grande com períodos de estresse, mudanças bruscas de alimentação, emagrecimento rápido, pós-operatórios, doenças ou infecções recentes e algumas deficiências nutricionais. Muitas vezes, esses fatores aparecem associados”, conta Fábio, que também é sócio do BIOMA Santos.

Segundo ele, o profissional de cabelo pode ajudar a perceber mudanças no couro cabeludo e nos fios e orientar o cliente a buscar avaliação quando necessário. “Quando percebemos esse quadro, orientamos o cliente a conversar com o médico responsável pelo tratamento e, quando necessário, procurar um dermatologista. No salão, podemos acompanhar esses pacientes por meio de protocolos de cuidado capilar, observando a evolução do couro cabeludo e dos fios, evitando procedimentos que possam agravar a queda e priorizando cuidados que contribuam para manter a saúde do couro cabeludo e a qualidade da fibra capilar”, explica.

Conforme o cabeleireiro, o cuidado cosmético, no entanto, é complementar e não substitui a investigação da causa da queda. “O melhor resultado acontece quando existe um cuidado integrado, que pode envolver médico, nutricionista, quando necessário, e profissional especializado em cabelos e couro cabeludo”, destaca Fábio.

Segundo o profissional, mais do que contar fios, portanto, o principal é observar mudanças no padrão, na densidade e no volume dos cabelos. Em um processo de emagrecimento, especialmente quando a perda de peso é rápida, esses sinais podem indicar que o organismo está passando por uma mudança que merece atenção.

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